
Os pés rachados na errante
procura por ti
[sedentos]
sugaram a seiva
do jardim de lembranças que plantei.
E as ilusões
[agora pó]
dissecadas nos ares
quentes de meu caminhar
[com o auxílio do vento]
disseminam o aroma das flores
que adornaram as quimeras
cultivadas em nós quando
recheávamos crepúsculos com
paixão e brindávamos a alvorada
nos copos moldados durante balé ensaiado
ao som do roçar de nossos cabelos.
Mumifiquei essa fantasia almejando
a umidade que
[um dia]
há de chegar com broto de sorriso e
semente de tua volta.
Nesse esperar dissoluto,
diluo o medo, decoro a alma com espelhos
que perpetuem imagens do tempo onde
o viço irradiava dos poros dilatados,
irrigando canais nos afluentes que interligavam
tua vontade e meu desejo.
Assim, espanto a desertificação que me assola
nos oásis idílicos que o reflexo faz germinar.
Imagem: Miguel Delgado e Silva




