domingo, 28 de outubro de 2007

Andança


Os pés rachados na errante

procura por ti


[sedentos]


sugaram a seiva

do jardim de lembranças que plantei.


E as ilusões


[agora pó]


dissecadas nos ares

quentes de meu caminhar


[com o auxílio do vento]


disseminam o aroma das flores

que adornaram as quimeras

cultivadas em nós quando

recheávamos crepúsculos com

paixão e brindávamos a alvorada

nos copos moldados durante balé ensaiado

ao som do roçar de nossos cabelos.


Mumifiquei essa fantasia almejando

a umidade que


[um dia]


há de chegar com broto de sorriso e

semente de tua volta.


Nesse esperar dissoluto,

diluo o medo, decoro a alma com espelhos

que perpetuem imagens do tempo onde

o viço irradiava dos poros dilatados,

irrigando canais nos afluentes que interligavam

tua vontade e meu desejo.


Assim, espanto a desertificação que me assola

nos oásis idílicos que o reflexo faz germinar.



Imagem: Miguel Delgado e Silva

sábado, 27 de outubro de 2007

Volta(a mim)


Nas linhas de tua vastidão

rastros deixados no pó

da saudade de ontem


[quando estavas comigo]


A fuligem da distância impede que te veja


[mundo de anseios]


Por isso fostes

: descobrir ancas onde pudesses

adubar desejos enraizados na carne

germinar lascívia em outros corpos


Passa o tempo....


[retinas límpidas após

o breu que tua ausência deixou]


Parei no acostamento da certeza,

sentei no banco da coerência,

peguei carona com a lucidez.

Voltei para encontrar o que deixei

quando decidi te perseguir


: retornei a mim.



Imagem: Wojtek Aleksandrowicz

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Sexta é dia de Controversos.
E é lá que estou. Você vai perder?
Eu, se fosse você, não perderia por nada.
É só clicar no nome do Blog. Vem!

O Passista



Desatina no samba louco

feito pro teu gingar



Desafina no ritmo composto

pra ti ver bailar



Sou poeta ensandecida

nas passarelas de tuas curvas



Tu, estrada de desvario

pro destino de meus versos






Imagem: Piort Kowalik

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Metamorfoseada


Flagelo teu corpo

com os fios de meus cabelos

e amarro teus pulsos na língua

[de duas pontas]

que lanço em perigo


Serpente dissimulada,

pico essa carnadura

[alucinante]

destilando veneno

nos canais te rasgam


Paraliso teu querer

impedindo arroubos

ladrões de meu sono


Só de mau

chupo tua alma,

num beijo animal



Imagem: Giuliano S