segunda-feira, 13 de agosto de 2007

O meu amor






Aos meus filhos, João Marcelo e Murilo



Ainda que todos os amores se percam infinitas vezes

nas tormentas da vida,

meu amor sobreviverá.

Por ele arranco das pedras a seiva da natalidade.

Organizo tudo ao meu redor.

Tantas oscilações que por mim se anteveja,

pronta estarei para resguardá-lo.

No meu ventre,

ainda existe traços do meu amor.

Carnal, visceral.

Ele vem de dentro mesmo!

Início de uma nova vida em mim.

Para mim.

Artimanha do destino que só me fez bem.

De tudo que fiz,

o meu amor foi a melhor obra.

O meu amor é loiro,

moreno,

cabelos lisos

e cacheados.

Sorri de tal forma...

Ilumina qualquer escuridão!

Um sentimento indizível...

Algo fora do comum.

Amor de amar.

Amor para amar.

Minhas crias,

meus filhos.

Orgulho de meu caminhar.

Rumo para eu me encontrar.

sábado, 11 de agosto de 2007

Acordes Dissonantes




Ouço as melodias que saem de teus acordes


[...]


Sussurro cantos inéditos que alcançam teus passos onde estiveres

Murmuro palavras indescritíveis aos restos dos mortais

Solto a voz e pergunto em que rumo tu estás


Na direção do vento que assola montanhas?

Atrás de quimeras trazidas pelas asas da esperança?


Sei que, de longe, minhas mãos afagam teus cabelos

O teu ritmo é dionisíaco, inebriante, insensato, louco

Artimanhas fazes para cantar e encantar


O meu ritmo é teu compasso

Danço na tua poesia, soletro tuas melodias

dedilho as cordas de teu violão


O que fazes para descobrir os segredos que trago em mim?



Lê meus olhos e eles te dirão com um verde sorriso.


Haverá algo mais profundo que um sorriso do olhar?


O olhar falante de uma poeta nômade é capaz de suportar desertos e mares.

Abarca as estrelas.

Diz coisas profanas, santas, castas, indecentes.


O que sentes?

O farfalhar de meus cabelos entre teus dedos?

Carícias feitas por idílicas mãos a te tocar?


Entrega-te aos meus sorrisos, às minhas gargalhadas.

Um e outra.

Esses sim, poderão te alcançar.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Miscelância Poética (homenagem aos amigos)



"A minha frente, um abismo alucinante. À direita, um enorme buraco sem fundo. À esquerda, um despenhadeiro. E atrás de mim, o vazio absoluto...

Portanto, devo concluir que ainda estou no Pico."

Edson Marques

Quer mais? Vai lá: Mude



"Dá um passo... vem...
Um passo
a frente e me mostra seus olhos de abismo...
Seu salto
é o que meus olhos procuram...

Pula!!!!"

Erika Murari Machado

Quer mais? Vai lá: Ocontô?



Pula nesse corpo liquefeito pelo desejo,

tal qual uma cachoeira que jorra ansiedade

e flutua na correnteza das formas

sinuosas de meu quadril.

Cuidado!!!

Sou foz insana que deságua nas tuas entranhas,

te consumindo em um redemoinho

de liquidificador.


Fernanda Passos




No Bog de Erika tem essa homenagem ao Édson. Gostei de sua atitude e resolvi homenagear os dois.

Um beijo pra eles.

E viva a poesia!

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Descompasso



Coloco cada coisa em seu lugar:


harmonia na loucura

caos na lucidez

vaidade na humildade

alegria na tristeza


Detesto coisas perfeitinhas!


enxergo tumulto

onde só há calmaria


universo

fractal

fragmentado


meus poemas

sem rima

sem nexo

melhor que isso


só sexo!


insisto em pegar fogo

labaredas me consomem...


Hoje também é assim:

ardor

fulgor

tudo em mim


Ontem

me fiz

cinza

e pó

de onde retornei

me fiz

e faço


Emendo

minhas partes

me recomponho


Chovia...


a chuva

me esfriou


Havia


(mas não sabia)


algo que se perdeu


A frieza me atordoa.


Sou verão!


Marquei encontro com o fogo

Ardi junto com ele


Sou chama

sou eu

em

mim.





Imagem: http://thumbs.photo.net/photo/3376154-sm.jpg

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Poeta de Ilusões





Entrego-te a caixa encantada

dessa poeta de ilusões,

para que construas

uma morada utópica

e guarde nossos anseios.

Aproveita!

Suga o ígneo interior que me perfaz.

Constitui-te larva

de onde possa extrair pedras

e amaciar essa tez

que acaricia tuas noites insones.

Assim,

no lugar algum em que moro contigo,

dissolvo tua idiossincrasia,

trituro teu narcisismo,

engulo tua indiferença,

recupero a alma cadente

que roubaste.

E porque estás em mim,

o fogo que me consome

te fez gasoso.

Respiro-te inteiro.

Depois te solto,

meu devaneio.