sábado, 3 de novembro de 2007

Não vi os olhos teus




Não vi os olhos teus

No dia em que partiste

Sem me dizer adeus

Ou um lamento triste.


Havia de ser dia negro,

Sem luz. Aurora fugidia,

Ocaso sempre efêmero

De minhas parcas alegrias.


Crepúsculo de meus idílios!

Hoje, tu és canto sem melodia,

Loucos desejos perdidos.


E eu, mar em rebuliço, arredia.

Desde o dia em te foste,

Em busca de insanas fantasias.






Imagem: Katerina Lomonosov

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Hoje estou aqui: ControVersos. Um blog erótico. Que fala de amores e humores, que risca a alma com um fio de sangue, que faz estremecer , que trava a boca. Aberto à participação de quem traga no olhar maduro uma nesga de desejo, um respirar mais ofegante, um brilho mais úmido na palavra.Passa lá. É só clicar no nome. Você não vai se arrepender.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

O que quero hoje


Hoje não vou falar das estradas

que me fazem perder o rumo,

nem das falésias onde aprumo

o salto pro fundo de mim.


Hoje não vou descrever curvas

ou retas que dedilham a

circunscrição dos espaços que

me habitam.


Hoje não reverbero desejos,

resplandeço volúpias

: fonte de inspiração.


Hoje não grito a mudez da ausência,

eco da saudade, sibilo constante

nas lapelas que absorvem a cor do mundo.

Nada de ode à lascívia ou luxúria.


Hoje quero poesia engajada, rabiscada

na cruel desigualdade em

que meus pares perecem.


Canto de revolta que denuncia

o furto do riso das crianças,

fome mísera que assola o povo.


Quero riscar no asfalto quente um F.


Assim, quem sabe, a fartura chegue

e o futuro se alegre ao contemplar

essa poeta que grita em versos

a vinda de um mundo melhor.





Imagem: Nuno Lobito

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Auto-retrato




Do que escrevo:

resquícios do passado

quereres não realizados

saudade do que não foi.


No que escrevo:

verbo rasgado, tesão

fogo, paixão

intensidade assumida.


Como escrevo:

amargo na saliva

breu nos olhos verde-oliva

ar(dor) que fere.


Em tudo que escrevo:

alegria que irradia

metáforas, analogias

necessidade de falar.


Escrevo:

escancaro, abro

poema auto-retrato.




Imagem: Fernanda Passos


terça-feira, 30 de outubro de 2007

Aridez





Minha cisterna secou
Na estiagem prolongada
De tua ausência.