quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Fugacidade


Rasgo silêncios plantados nos jardins

Ancorados nas falésias de barro

Que ergui além, longe de mim.


Do eco brotado desse ato fugaz

erigi um velhonovo retrato

em pretobrancocarmim.


Multicolor! Simples, assim!

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Androgenia


Sei é da força pungente que me lança na vida como satélite espião.

Sou conteiner de radares, sonares. Explosão!

Indumentária metamorfoseante daquela e que fez essa


: andrógina.


Detecto lamentos exalados nos cantos de cada saudade;

Atleta de obstáculos porque os vejo muito antes de.

Ser no e para o mundo.

Qualquer faceta que adotar,

a máscara hermafrodita estará a me fantasiar.






Imagem: Meiko Janke

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Poema para a lucidez


Nada de louvar amores,

Alegrias ilusórias,

Idealizar estórias.

Quero almas sem gozos.

Gritar fatos cruéis

Que a vida nos lega: estorvos!


Meu tempo é negro: azeviche.

Trago um peito carcomido pela velhice.

Jovem com olhos em grau de senilidade!

Corpo, sem cicatrizes.

Tenho marcas na alma, no ver as coisas.

Não na idade!





Imagem: Anakin Sk

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

O que virá



"É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."

Carlos Drummond de Andrade





O único começo que admito na vida:

A própria vida.

O resto não passa de uma aquarela

Dissimulada de arte pós-moderna.




E que a continuidade da vida em 2008 seja excelente para todos!







Imagem: Aquarela

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Sou vida


Carrego no peito um coração que pulsa e uma esponja que suga o mundo.

Sou celeiro dos pedaços colhidos ao longo das trilhas percorridas


: fruto das escolhas feitas na bruta certeza de estar aqui.


Por vezes, sou os fragmentos juntados.


Só assim existo.


Despedacei-me tantas vezes fossem necessárias e tantas outras erigi o molde mim.

Fui correnteza bravia arrastando anseios guardados em ermos espaços


: meu e de outros.


Também laguna,

quase isso e aquilo.


Agridoce, já fui.


Ave faminta em jardins de esperanças, suguei o néctar de cada flor para nutrir ilusões.

Experimentei misturas que brotam no seio vida.


Fui vida.


E porque ousei ser e não ser


[negando a homogeneidade de meus contornos]


suplantei vicissitudes.


Hoje sou paiol.


Pulsante, sorvo a concretude liquefeita,

absorvo e regurgito ais, alegrias.


Sou vida.







Imagem: Sophia Douma