terça-feira, 9 de outubro de 2007

Fuligem


Trago teu suor,

ânsia viciada.


Saciada, te liberto


[decantado]


nas sugadas

que engoliram

teu ardor.


Nesse ciclo,

te faço gasoso

e lanço no mundo.


Carbono, fuligem,

gasto, imprestável.


Ponta que só acumula seiva,

vontade consumida


[em mim]


no cigarro que queimei


[tu].





IMAGEM: CHARALAMPOS MAVROMMATIS

sábado, 6 de outubro de 2007

Teu caminho(no meu corpo)


Sou íngreme, sabes

nos aladeirados

côncavos e convexos


[que me perfazem]


perdeste a lucidez


Minha geometria

: ângulos onde escondes

desejos para saciar luxúrias

gravadas nas entranhas de ti


Inclinada, te recebo liquefeito


no


núcleo do mundo


[meu umbigo]


e


sorvo a saliva

seiva que jorra

alimento meu


Trago teu querer


Sou


[mais que nunca]


: nômade nos espaços

não lineares

da

seara de quereres

germinados no adubo


: tua carne.



Imagem: Quark

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Densidade Poética




I


Sou densa - mercúrio

peso de anseios

carmim/visceral

passional/efêmera


Brisa a bailar

noturna/soturna

lua cheia de tudo

fase qualquer


Fractal ordenado

caótica massa

liquidez meu interior

que

: decantado

canta

a arte

na poesia

que brota

brota


II


E faço versos

enredos/descaminhos

desconexos/lógicos


na poesia

todo desordenado

ordenada desordem

mostra do sentir

absurdo/claro

ambíguo/metafórico


na poesia, amigo

só a verve


[que irradia na ponta da língua/fantasia]


transmutada em loucura/sã

no grito do poeta.











Controversos, vale conferir. Passa lá!




Imagem: Ana Rita Vaz Cruz

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Insana(mente)


Na vastidão de teu corpo,

perco a lucidez.


Insana,

desenho contornos abstratos

que mostrem as veredas por onde andei

quando perdida na tessitura que te perfaz.


Desmesurada

[na busca de teu querer]

resvalo em direção ao caos de sensações

que brotam quando adentro tuas entranhas.


Rabisco

teu coração com meu nome,

tatuo meu rosto em tua memória

para que não esqueças dessa que

inventa traços só para estar em ti.


Sigo explícita,

[engolindo a fome de todas as eras]

e alimento a vontade de te comer,

perdição.



Imagem: Carla Salgueiro

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

O melhor(para nós)


Vem!


Não me deixa sozinha...


Atreva-se em novos caminhos

Circunda o desejo que me consome

Enlaça meu querer nos fios de teus cabelos


Enquanto ainda te espero....


Bocas.

Quantas terei que provar até encontrar a tua?


Olhares lascivos.

Quantos fitarei até encontrar o teu?


Só em ti, meu sabor,

sinto o cheiro do pecado.


Umedeço a pele na seiva que brota de teus poros.


Enquanto ainda te espero....


Trafega por meu contorno,

salta na cachoeira de anseios.

Correnteza de mim pra chegar a ti.


Entre eu e ela, você.

Em mim.



Imagem: Vítor Silva