
antes que a
Que me quer.
Poesias etc e tal.
fome insana!
lava a escorrer
nas ancas
quando arrebentas
em mim
toda vastidão
que te perfaz
fome insana !
deleite obtido nas
contrações involuntárias
causadas por teu chegar
p
r
o
f
u
n
d
o
no ventre
que te aconchega
fome insana!
mendiga a gota de teu suor
para matar a sede da carne
ressecada em tua ausência
fome insana!
desvairada
não farta pelo alimento
que tu és,
acabou comendo a si mesma.
Ataque autofágico!
imagem: josé mianutti
Recomeço antes do fim.
Estendo os passos na ânsia de voltar para seguir
Alugo carros velozes e desatino na estrada
sinuosa que é meu caminho
Crio atalhos onde só existem espinhos
Reflito para não ficar
retida na alienação de só gostar
daquilo que ao meu alcance está
Almejo tudo que hei de encontrar
Nado por rios densos, sem pontes
Convido eu mesma a atravessar
Indago ao pensamento como querer
não só o que se tem, mas o que se pode obter
Zênite é meu objetivo!
Quero ir além do que vivo
Altas braçadas no mundo, largas pernadas na vida
Surjo das cinzas e sempre hei de voltar
Fênix, a contemplar.
Imagem: Helena Margarida Pires de Sousa
Na textura do tempo,
meu
ser no mundo.
Tecido velho,
fiapos da vida.
Recortes
na tessitura
incessante do devir.
Venho
de longe,
das encostas da memória.
Sorvo
tudo que alcanço.
Verto
[retocados]
traços engolidos
e
renasço de tudo que fui,
sou,
hei de ser.
Assim
me encontro,
me perco.
Mas
[sempre]
retorno
ao ponto.
II
O ponto
não é somente um ponto.
O ponto
é uma incógnita.
Pode ser o final,
o começo.
[Quiçá um recomeço!]
O ponto
é o talvez,
possibilidade
de novas portas,
velhos encontros.
O ponto
: um ignoto.
Preciso desvendar
o significante
que ele trás.
O ponto,
que me perfaz.
Imagem: Kadir Barcin
Sei que em ti habita um mundo,
campo de flores, rios de esperanças.
Divago pelos bosques de tuas curvas,
repouso na montanha de teu peito.
Relaxo nas sombras que teus cabelos nutrem,
adormeço no conforto de teu corpo.
Transito por ti como quem nada quer...
Alento ilusões nas chamas de teu olhar.
Mato minha fome na carne que te reveste,
meu bem-querer.
Sou mais que o balançar das ondas:
redemoinho de quimeras.
Pescadora perdida nos rios de anseios,
embarcação desgovernada a saltitar,
insana maré a escoar.
Mergulho dentro de mim,
nunca encontro meu fim.
E nesse eterno buscar,
ainda hei de achar
tatuada na pele
a presença que fere.
Tento não afundar...
Um cais para aportar!
Mas alusão com o mar,
não deixa eu me achar.
Imagem: Andrew P. Grant
Persisto em obliterar
opúsculos que guardam
reminiscências indesejáveis
tragadas ao longo
da lida diária
Construo frases de efeito
com poderes bélicos
de destroçar o que fere
a retina
porque absorve
sensações corpóreas
e
desafio a metafísica
da alma insana
pregada ao eterno
dissabor de não ser
Sou mundo concreto,
existência bruta
Germino nos dias vividos.
No fogo de tua carne
brasas de meu querer.
Cobiço ir além da tua pele
: entrar em teus poros,
inalar teu suor,
engasgar na tua glande.
Abrir meu mundo,
deixar você entrar.
Penetra!
Vem...
Escancara as portas!
Desvenda-me...
Veda-me a outras tentações
que não a de teus apelos.
Teus pêlos.
Imagem: Andi Todea
Guia-me por entre as relvas,
pois
em teu corpo germinam
Meu desejo se alimenta
na
seiva que brota do tronco
de
tuas pernas
e
sacio a sede
que
me consome
em
teus pêlos
ou
sugo o néctar
das
tuas reentrâncias
Sufoca meus gemidos
com o
peso de tua carne
Arqueia meu quadril
num
espasmo de luxúria
Imagem: Daniel Operacz
Sou caule de raízes profundas que tocam o umbigo do mundo e se liquidificam
Tronco robusto na superfície irregular
Cresci torta como as árvores do cerrado
Os galhos de meu corpo, dimensões imensuráveis
Em suas pontas, olhos que vêem o mundo sob ângulos diferentes
Por isso sou múltipla como as pétalas que em mim brotam na primavera
Fruta suculenta que no verão enche de cheiro e sabor os desejos intocados
Néctar adocicado a escorrer nas bocas sedentas que abocanham meus fiapos
Tenho raízes que tocam o umbigo do mundo
Sou líquida por dentro, crosta por fora
Um rio de anseios com margens porosas
Absorvo as estações, o ciclo da vida
A vida cíclica no umbigo do mundo.
Nada sei do mar que arrasta meus deslizes e arroubos.
Sei apenas que voltam como as ondas.
Sempre em garrafas que guardam memórias ocultas.
Nada sei do mar que nivela meus anseios,
assim como a maré que seca uma parte de mim
e inunda a outra com fragmentos de ilusões.
Nada sei do mar que habita meu interior,
transformando fendas rasas em abismos abissais.
Nada sei do mar que me perfaz.
Mas sei que em mim mora a nascente das lágrimas vertidas
pelas causas vãs que, inutilmente, quis alcançar.
Dentro de mim o mar...
Embarco no vai e vem das contradições que sustentam meu existir.
Salinidade que fere a língua da vida, mas que insiste em ser mar.
Vida vaga como as vagas que surgem entre as ondas.
Vida longa, breve e líquida como o mar.
Mas que jamais seca.
Nunca me deixa no deserto de não me saber existindo.
Eu, transbordante.
Ainda que na canção
reste apenas uma gota de alegria,
verei teu rosto.
Nada atravessa mais minha loucura,
me rasga o desejo que as
noites insones que sonhei contigo.
Mesmo que o badalar do sino seja triste,
resquícios de mim e de ti ouvirei nele.
Retalhos de uma noite com luar,
anjos vermelhos a nos provocar.
Velhos sonhos, novos dias, antigas melodias
e sempre eu aqui, querendo dedilhar os versos
líricos de um amor que não se diz,
porque não quer.
Passo por becos seculares
abrigos de muitos ares
segredos guardados
nunca revelados
Janelas com vitrais
coloridos artificiais
telhados quebrados
mirantes alternados
Centro de séculos
lugar de botecos
noites agitadas
pessoas descoladas
Reviver é pra amar
tem reggae pra regar
a vida é uma festa
e muita conversa
Tem a praça da Faustina
bar do Porto na esquina
gente que sai torta
São Luís, maravilhosa.
Junto os cacos de mim
arquiteto um semblante
Junto cacos de mim
construo uma persona
Junto os cacos de mim
edifico esperanças
Junto os cacos de mim
dilacero o que era ontem
Junto os cacos de mim
moldo o que quero ser
Junto os cacos de mim
E no anseio de me reconstruir
me descubro como era antes.
Juntos os cacos de mim
Compreendo que esses fragmentos
são partes do que sempre fui.
Do que poderei ser.
Não posso me moldar.
Juntos os cacos de mim.
Eu, assim.
gozo gozo gozo
tara de mais querer
querer de mais tesão
tesão de mais viver
viver de te lamber
lamber teu dedão
ah!!
não?!
deixa!
a gueixa quer você
lamber querer viver
tesão dedão gozo
deixa?
depois não se queixa.
língua seca muda áspera lambe rosto mundo obtuso absurdo redondo caduco velho arqueado tempo dissoluto luto morte luto mundo melhor dia cansado vindouro dourado botas rasgadas rastros traçados história injusta povo sofrido ardido fome desgraça corrupção alienação alienígenas óbito inanição crianças mortas sorrisos roubados futuro nublado nada amor dor temor classes hierarquia almas maiores menores gente gozando dinheiro sujo comendo vento estômago ardendo língua seca áspera muda lambe rosto mundo absurdo imundo inumano voz grita esperança ação canção luta mundo melhor corrupção passado futuro claro mundo nós gente igual adeus classe social
Náiades e Sereias visitam
a ilusão que criaste pra ti mesmo.
Seus cantos e encantos te fazem
navegar em mares de desejos vãos.
Untam teu corpo com a seiva do pecado.
Vertigens te perseguem e zonzo estás.
Entre tantos cantos,
quantos
Quantas secas saudades te beijaram a face?
Emaranharam-se nos teus cabelos?
Almejas sereias e perdes o rumo.
Louco, perdido em seus encantos.
Enquanto isso, Eu, que sou real,
manipulo tua loucura
com meus poemas.
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